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sábado, 10 de maio de 2025

 

    OS POUCOS LIVROS QUE LI NO ANO DE 1990 - 4ª SÉRIE - PROF. LEILA

  • Spharion - Lucia Machado de Almeida
  • O Escaravelho do Diabo - Lucia Machado de Almeida
  • Tonico - José Rezende Filho
  • O Feijão e o Sonho - Orígenes Lessa
Minhas Aventuras Literárias nos Anos 90: Entre Besouros Assassinos e Sonhos Impossíveis

Lá pelos idos de 1990, eu era um pequeno leitor de 10 anos, uniforme amarrotado da 4ª série, mochila cheia de cadernos com orelhas e escrito num heiroglifo – é claro – livros que a professora Leila empilhava em nossas mesas com um sorriso misteriosamente assustador. Hoje, olhando para trás, percebo que ela não estava só nos ensinando a ler; estava nos preparando para sobreviver – seja a uma colônia alienígena, a um poeta faminto ou, pior ainda, a um besouro assassino.

Tudo começou com "O Escaravelho do Diabo". Lúcia Machado de Almeida não brincava em serviço: aquele livro tinha mortes, um inseto sinistro e um suspense digno de filme de terror. Lembro-me de ler escondido sob as cobertas, porque abril é sempre frio, pulando a cada barulho na rua de cima. Quando o besouro aparecia nas cenas, eu fechava os olhos por um segundo – só um! – antes de continuar devorando as páginas. Era meu primeiro thriller, e a professora Leila, sabiamente, nos apresentou o medo como algo divertido.

Depois do susto, o próximo bimsetre, Spharion me jogou em uma nave espacial. Confesso: no começo, estranhei. Onde estavam os mistérios terrestres? Os vilões humanos? Mas logo me vi torcendo por aqueles personagens perdidos em um planeta estranho, com máquinas e criaturas desconhecidas. Era ficção científica brasileira, algo raro, e mesmo sem entender todos os conceitos, eu adorava a sensação de que o universo era maior do que meu quintal.

Depois das férias, "Tonico" era o alívio cômico depois das aventuras tensas. Se o personagem era metade do que Tonico e Carniça (que eu leria no ano seguinte), então suas peripécias eram exatamente o tipo de coisa que eu e meus amigos faríamos – se tivéssemos mais coragem. Roubar goiabas do vizinho? Check. Inventar desculpas esfarrapadas? Check. Era um livro que cheirava a infância, e eu devorei com um sorriso de orelha a orelha.

O Livro que (Quase) Ninguém Esperava
E então veio O Feijão e o Sonho.

Ah, O Feijão e o Sonho.

Eu devo ter sido uma das poucas crianças do Brasil a encarar Orígenes Lessa na 4ª série. Enquanto meus colegas ainda estavam presos em "A Turma da Mônica", eu tentava entender a vida daquele poeta que brigava com a realidade. Confesso: partes do livro passaram voando sobre minha cabeça como um Spharion desgovernado. Mas algo ficou: a melancolia, a luta entre o sonho (a poesia) e o feijão (a dura realidade). Anos depois, reli e aí sim entendi a genialidade – mas na época, só sabia que era diferente de tudo que eu já tinha visto.

O Legado da Professora Leila
Hoje, percebo que ela montou um quebra-cabeça literário perfeito:

Escaravelho me ensinou que histórias podem assustar e prender.

Spharion mostrou que a imaginação não tem limites.

Tonico me fez rir das pequenas loucuras da vida.

O Feijão e o Sonho... bem, esse me preparou para os clássicos que viriam.

E você, também teve uma professora (ou professor) que te jogou num mundo de livros inesperados? Lembra de algum título dessa época que te marcou à força, mesmo sem você entender tudo?

P.S.: Se a professora Leila estiver por aí, devo dizer: obrigado. E, por favor, explique o final de "O Escaravelho do Diabo" – ainda tenho minhas dúvidas!